🌍 Quando “The Office” Expatria Jim e Pam: Como Apoiar Crianças em Mudanças Internacionais

A expansão internacional de The Office está acontecendo! A Dunder Mifflin decide abrir operações no Brasil, e Jim Halpert é convidado para liderar essa nova fase. Isso significa que sua esposa, Pam Beesly, e os filhos também entram no pacote.

Entre empolgação e receio diante da oportunidade, eles fazem a pergunta que todo pai e mãe expatriado gostaria de fazer ao chefe:

“Michael, que tipo de suporte nossos filhos vão receber nessa mudança?”

Foto dos bonecos dos personagens do the office

E, com sua típica autoconfiança, Michael Scott responde:

“Crianças aprendem e se adaptam rápido. Vocês nao precisam se preocupar com eles!”

Se você já mudou de casa com filhos, sabe que a realidade é bem diferente.

Adultos e empresas tendem a se concentrar nas questões concretas: visto, moradia, escola, trabalho, burocracias e acabamos esperando que as crianças simplesmente “acompanhem”.

Mas elas estão vivendo uma mudança tão complexa quanto a dos adultos, com a grande diferença: eles não escolheram ir. Além disso, possuem menos recursos para entender o que isso significa.

Para uma criança, mudar de país pode significar deixar os avós, perder os amigos, sair da escola, não entender (ou não ser entendida) no novo idioma, ou até não saber como pedir para ir ao banheiro no primeiro dia de aula. Ou seja, seus portos seguros deixam de estar ao seu alcance.

Se a família do Jim e da Pam mudassem para o Brasil, imagine o primeiro dia de aula. Os colegas abraçando para dar boas-vindas e os pensamentos das criancas gritando: “Socorro! Estão invadindo meu espaco pessoal!”. Em seguida, os professores falando rápidoe a criança só querendo que “alguem me resgate desse lugar estranho onde eu não entendo nada, please!”  E para fechar o dia com chave de ouro: todo mundo comendo arroz e feijão no almoço e, como todo bom estadunidense, perguntaria“cade o meu sanduiche e minhas chips?”.

Existe uma ideia bastante difundida de que crianças “são esponjas”: aprendem o idioma rapidamente, fazem amigos com facilidade e seguem a vida sem grandes impactos.

É verdade que, em geral, aprendem mais rápido do que os adultos. Mas isso não significa que não sintam medo, tristeza, insegurança ou até raiva.

A tendencia é não verbalizar e expressar no comportamento com regressões, irritação, isolamento ou sensibilidade excessiva podem ser formas de dizer: “Eu não estou entendendo o que está acontecendo.”

Portanto, resiliência não é ausência de sofrimento, mas sim a capacidade de atravessar o desafio. E, para que isso aconteça de forma saudável, é preciso apoio.

Ao longo da minha trajetória no exterior, aprendi que o treinamento intercultural tambem pode apoiar crianças com um suporte profissionalizado e personalizado. Não se trata de algo corporativo ou de uma palestra formal sobre diferenças culturais. Os encontros utilizam jogos e brincadeiras para abrir espaço para perguntas e emoções. Auxiliando as crianças a compreenderem que mudanças fazem parte da vida, culturas são diferentes, sentir medo é natural, é permitido sentir saudade e chorar, errar no idioma não é motivo de vergonha e existem vínculos que permanecem estáveis, mesmo além das fronteiras.

Quando a criança entende que o desconforto faz parte do processo e existe a possibiliade de conforto atraves do que ainda se mantem estavel, como a presença dos cuidadores, ela deixa de sofrer sozinha. O treinamento intercultural transforma o desconhecido em algo menos assustador, em uma linguagem que ela consegue compreender.

Quando bem acompanhada, a experiência internacional pode ser extraordinária para uma criança. Possibilita o desenvolvimento de flexibilidade, empatia, curiosidade e tolerância à diferença. Além do aprendizado de que existem muitas maneiras de viver no mundo. Então, ela carregará esses ensinamentos para vida, se permitindo fazer escolhas saudáveis pra si e fortalecendo sua autoaceitação.

Mas isso não acontece automaticamente. Sem apoio, a criança pode sentir que não pertence a lugar nenhum. Com apoio, ela descobre que pode pertencer ao mundo!

Renata Takacura

Coonsultora de Carreiras Globais e Treinadora Intercultural


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Renata Takacura

Diversity advocate | Intercultural Training & Coaching | Career Guidance | Learning & Development | Human Resources Project Manager

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